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Novarussense é preso no DF pela Operação Gárano

A Polícia Civil do Distrito Federal estima que a dupla de estelionatários que participava de um esquema de venda ilegal de terrenos no Distrito Federal chegou a arrecadar R$ 4 milhões em golpes. Em dois anos de atividade, a organização fez mais de 20 vítimas na região de Planaltina. Entretanto, a corporação acredita que com a divulgação dos relatos, outras pessoas que foram prejudicadas devem aparecer para fazer a ocorrência contra os criminosos. As investigações apontam que os dois suspeitos se aproveitaram de possuidores de imóveis sem escritura pública, prometiam uma valorização do terreno e revendiam o local para terceiros.

Robson Soares dos Santos (natural de Nova Russas no Ceará), 35 anos, e Marcelo Vieira Vidal de Moura, 38 anos, foram presos durante a Operação Gárano, deflagrada na manhã de ontem. Outras duas pessoas também foram indiciadas por participarem do esquema como “laranjas”. Apesar de um esquema funcionar desde 2015, as denúncias só começaram em dezembro do ano passado. Para o delegado adjunto da 16 ª Delegacia de Polícia Diogo Barros Cavalcante, o problema é que muitas pessoas que compraram os lotes ou que tiveram seu terreno vendido demoraram para perceber que caíram em um golpe. Isso porque Robson seria o mandante da organização, e teria registro legal de corretor de imóveis no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-DF). O que dava a ele credibilidade e confiança. “A gente acredita que, com o crescimento da bolha imobiliária, para manter o padrão de vida, ele começou a aplicar os golpes. Quando procuravam ele (os supostos clientes), ele prometia outro lote e continuava enganando. Em 2017, começaram ser registradas denúncias e nós iniciamos a investigação de forma isolada”, explicou o delegado.

Para enganar as pessoas, Robson supostamente iria atrás de possuidores de imóveis que não tinham escritura. Ou seja, apesar de possuírem o terreno, essas vítimas não tinham o documento de posse. Então, o esquema ocorrida da seguinte forma: o corretor de imóveis conversava com o morador do lote, e prometia que se ele assinasse uma procuração, o terreno poderia passar por reformas e, no futuro, seria valorizado. Essas mudanças custariam em torno de R$ 100 mil a R$ 200 mil reais. Como Robson era um nome renomado no mercado, as vítimas assinavam o documento, sem saber que nele também estava uma autorização de venda de terreno. Assim, Robson passava o lote para o nome de um “laranja”, e conseguia revendê-lo, por meio de um contrato de cessão de direitos ou procuração.

Quando as vítimas procuravam o corretor de imóveis para dizer que havia alguém morando no lote, ele se justificava falando que conseguiu o terreno, mas que ainda não havia sido pago e depois entregaria o dinheiro, quando recebesse. E, em muitos casos, chegou a prometer outros terrenos – que também seriam parte do esquema. “Ele começou de forma simples, enganando pessoas mais carentes. Depois, começou a incrementar. Fraudava documento, escrevia contrato de compra e venda sem valor jurídico, reconhecia firma. E aí no fim do ano, o prestígio dele entrou em declínio. E aí começou a fazer tudo por fora, e a usar a ajuda do Marcelo”, contou o delegado.

Além disso, os dois também procuravam por donos de terrenos que foram doados pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional do DF (Codhab). Segundo o delegado-chefe da 16ª Edson Medina, esses terrenos são lícitos e os proprietários têm os documentos de posse. Porém, eles não podem ser vendidos, pois o governo na época fez algumas doações a servidores públicos cadastrados na companhia. Robson convencia os donos de que a venda era permitida para tentar vendê-los. “Os indivíduos passaram a comprar esses imóveis, mas eles não podem ser vendidos. E aí começou a criar uma teia. Ele vendia o imóvel, e recebia um veículo como forma de pagamento”, contou.

Em nota, a Creci/DF afirmou que aguarda a Polícia Civil encaminhar a documentação de Robson para tomar as devidas providências. “O referido corretor tem restrições junto ao Conselho, por isso não é possível emitir a sua Certidão de Regularidade no website do CRECI/DF”, disse a nota. Além disso, o órgão recomendou que ao contratar um profissional da área, é imprescindível consultar a certidão de regularidade no site.

A Operação Gárano

Deflagrada na manhã de ontem, a operação cumpriu a prisão de Robson e Marcelo e mandados de busca e apreensão na casa dos autores do crime. Na casa do corretor de imóveis foi encontrado uma pistola importada, e R$ 800 em espécie. Ele será indiciado por quatro estelionatos, apropriação indébita, associação criminosa e porte ilegal de arma de fogo, o que pode resultar em 30 anos de prisão. Já o comparsa foi autuado por associação criminosa e três estelionatos, o que pode render 18 anos de reclusão. “Mesmo não havendo uma grave ameaça, ou violência, eles estão causando um dano quase irreparável para essas pessoas que estão comprando e que pode evoluir para outros crimes”, concluiu Medina.

Fonte: Correio Brasiliense

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